Como a produção de psytrance mudou desde os anos 1990
Do TB-303 e dos estúdios de hardware às DAWs e aos soft synths: como a produção de psytrance evoluiu, o que continuou no centro e para onde ela pode ir.
Como empilhar kick, baixo, leads, pads e atmosferas no psytrance para que cada som tenha uma função, e como criar profundidade e espaço estéreo sem embolar a mix.
Trabalhar com camadas de som no psytrance significa empilhar vários sons para que cada um faça uma única coisa: peso, ataque, largura, movimento ou atmosfera. Bem feito, o track fica profundo e aberto. Mal feito, a mix embola.
A regra por trás de tudo neste guia: cada camada tem sua própria faixa de frequência, seu próprio lugar no campo estéreo e sua própria distância de quem escuta. Se duas camadas querem o mesmo lugar, uma delas precisa se mover ou sair.
Antes de adicionar um som, pergunte para que ele serve. Se você não consegue dizer qual é a função, provavelmente ele não precisa estar ali. Um mapa simples do espectro ajuda a decidir onde cada camada mora. As faixas abaixo são aproximadas, e camadas vizinhas sempre se sobrepõem um pouco.
| Faixa | Camadas típicas | Função na mix | Estéreo |
|---|---|---|---|
| Sub, cerca de 30–100 Hz | Corpo do kick, sub grave | Peso e pressão | Mono, centro |
| Médios graves, cerca de 100–300 Hz | Baixo médio, punch do kick | Punch, audível em caixas pequenas | Quase sempre centro |
| Médios, cerca de 300 Hz–2 kHz | Leads, arpejos, corpo da caixa, vocais | Melodia e foco | Centro e um pouco aberto |
| Médios agudos, cerca de 2–5 kHz | Clique do kick, ataque do lead, palmas | Presença e ataque | Varia |
| Agudos, acima de 5 kHz | Hi-hats, shakers, ar, FX | Brilho, detalhe, espaço | Aberto |
O problema mais comum com camadas é o mascaramento: dois sons na mesma faixa brigam por espaço e nenhum aparece com clareza. A solução é dividir o espectro para que cada camada tenha a sua parte. Nosso mapa prático de frequências no psytrance detalha cada faixa.
Acerte o grave antes de adicionar qualquer outra coisa. Se a base está fraca, camadas extras só escondem o problema por um tempo.
Kick. Um kick de psytrance costuma ser feito de duas partes: uma camada curta de transiente para o clique e uma camada mais grave para o corpo. Um pouco de saturação em uma delas ajuda o kick a aparecer. Quando empilhar kicks, confira a fase. Se o grave fica mais fino ao adicionar a segunda camada, inverta a polaridade ou desloque a camada no tempo até as duas somarem.
Baixo. Divida o baixo em uma camada de sub limpa, que carrega o peso, e uma camada de baixo médio filtrada, que traz o caráter que você ouve em caixas menores. No psytrance o baixo toca nos espaços entre os kicks, então os dois nunca devem se sobrepor. Sidechain ou volume shaping no baixo, abaixando onde o kick bate, deixa o grave firme e com punch. Kick e sub ficam em mono e no centro. Mais sobre isso em como fazer um baixo de psytrance que rola.
Na bateria, o segredo é o envelope. Junte sons com transientes e caudas diferentes, por exemplo uma caixa seca com uma palma mais suave por baixo, para que se somem em vez de brigar. Encurte o ataque ou o decay onde dois golpes se misturam.
Hi-hats, shakers e percussão extra constroem o balanço em volta do kick e do baixo. Empilhe com cuidado para que apoiem o groove sem cobrir, jogue no pan para lados diferentes para ganhar largura e coloque um pouco de swing nos hats se o ritmo parecer duro. O kick continua sendo o centro, e todo o resto apoia.
Um jeito simples de engordar um lead é duplicar e mudar a cópia: desafine um pouco, suba uma oitava ou use outro oscilador ou outro tipo de síntese em cada camada, como subtrativa, FM ou wavetable. Os modos unison empilham várias vozes desafinadas de um mesmo patch e abrem o som do mesmo jeito.
Nem toda camada precisa do mesmo peso. Coloque um lead bem na frente e deixe uma contramelodia ou um arpejo mais atrás: mais baixo, mais escuro e com mais reverb. Leads e sequências na mesma região devem ter formas de onda diferentes para que cada um continue reconhecível. Uma saturação leve adiciona harmônicos e faz o lead aparecer também em caixas pequenas. Um LFO no cutoff do filtro ou uma automação lenta mantêm as camadas em movimento.
Os pads são o pano de fundo do deep psytrance. Funcionam melhor sons suaves que evoluem, com modulação lenta de filtro ou de amplitude, ou com chorus para dar mais corpo. Sintetizadores wavetable ajudam porque permitem transformar o som ao longo do tempo. Deixe os pads num volume que apoie os elementos principais e passe um filtro passa-altas para tirá-los da região do baixo. Nosso guia de pads atmosféricos para psytrance tem mais ideias.
Gravações de campo trazem uma camada orgânica que contrasta com os synths: água, vento, folhas, vozes distantes ou barulho de cidade. Corte, mude o tom e estique até combinarem com a tonalidade e o clima do track, e deixe baixinho para formar uma cama por baixo de tudo. Vocais muito processados, sinos ou carrilhões fazem o mesmo papel. Como gravar e processar está em gravações de campo para sons únicos no psytrance.
Uma boa mix de psytrance parece uma sala onde você pode andar. A largura vem do pan e dos efeitos estéreo; a profundidade, do reverb, do delay e do volume. Como regra, o que é mais alto, mais brilhante e mais seco parece perto; o que é mais baixo, mais escuro e com mais reverb parece longe.
Reverb. Use salas curtas ou plates na percussão para manter o punch, e halls longos em pads e atmosferas para empurrá-los para trás. Ajuste o pre-delay para que o começo do som fique claro antes da cauda entrar. Coloque os reverbs em canais de envio para que vários sons dividam o mesmo espaço, e passe um filtro passa-altas no retorno para que as caudas não encham o grave. Cuidado com decays longos, eles embolam a mix rapidinho.
Delay. Um delay sincronizado ao tempo num lead traz ritmo e movimento. O feedback controla quanto tempo os ecos duram; filtrar o retorno evita que ele cubra o som seco. Delays ping-pong em golpes curtos de percussão ou FX espalham esses sons pelo campo estéreo.
Largura. Kick e baixo em mono, e o resto espalhado: percussão e sequências em lados diferentes, chorus ou uma leve desafinação em pads e leads, e atmosferas, cortes de voz e samples processados nas pontas. Vá com calma nos alargadores estéreo, porque largura demais causa problemas de fase. Escute a mix em mono de vez em quando; se uma camada some, a largura dela é falsa. Nosso guia de efeitos no psytrance explica essas ferramentas em detalhe.
Para o processo completo de mixagem, veja como mixar um track de psytrance.
Você não precisa de todas as camadas o tempo todo. Comece as seções com menos elementos e vá adicionando camadas conforme a energia sobe; um filtro abrindo devagar num lead brilhante cria tensão antes de uma parte entrar. Tire camadas no breakdown e deixe pads e atmosferas assumirem, para que a próxima parte cheia bata mais forte pelo contraste.
A automação dá vida a isso. Mexa no cutoff dos filtros, nos envios de reverb e no volume das camadas de percussão ao longo do track. Mudanças pequenas bastam: num track longo de psytrance, quem escuta percebe cada movimento. Nosso guia de automação no psytrance mostra como fazer.
Geralmente duas ou três por elemento, como sub mais baixo médio, ou transiente mais corpo no kick. Adicione uma camada só quando ela trouxer algo novo e tire qualquer uma que você consiga silenciar sem ouvir diferença.
Muitas vezes, sim. Uma camada curta de clique e outra mais grave de corpo dão controle separado sobre ataque e peso. Confira sempre a fase para que as camadas se somem e não se cancelem.
Quase sempre porque várias camadas dividem os médios graves. Passe um passa-altas em tudo menos kick e baixo, corte as frequências que se sobrepõem, encurte as caudas de reverb e mantenha o grave em mono.
Mantenha kick e baixo em mono e no centro, espalhe as outras camadas com pan e efeitos estéreo sutis, e use reverb, delay e volume para empurrar os sons de apoio para trás enquanto os elementos principais ficam na frente.