Os subgêneros do psytrance explicados
Full-on, progressive, dark, forest, twilight e psybient: como soam os principais estilos de psytrance, de onde vêm e quando você ouve cada um num festival.
Quais instrumentos ao vivo combinam com psytrance, como gravar e microfonar cada um e como encaixar tudo numa mixagem construída em volta de kick e baixo.
Psytrance é música eletrônica, mas um instrumento ao vivo pode dar a uma faixa algo que nenhum plugin dá: um drone de didgeridoo por baixo do kick, uma linha de violino no breakdown, percussão de mão que solta um groove engessado. Veja como gravar bem esses instrumentos e fazer eles encaixarem.
Qualquer coisa que traga uma textura orgânica pode funcionar, desde que apoie os elementos eletrônicos em vez de competir com eles. Alguns que combinam bem com o gênero:
Uma boa take importa mais do que qualquer processamento. Deixe o músico tocar num lugar onde ele se sinta à vontade e grave com um click no andamento do projeto, para as partes alinharem com o grid depois.
Para teclados e guitarras, a entrada direta (DI) dá um sinal limpo e sem ruído. Instrumentos acústicos precisam de microfone. Como regra geral, microfones dinâmicos aguentam fontes altas como bateria e amplificadores de guitarra, enquanto microfones condensadores captam os detalhes de instrumentos acústicos, cordas e voz.
Fique de olho nos níveis. Clipping na entrada não dá para consertar depois, então deixe bastante headroom e mantenha os picos bem abaixo de 0 dB. Use compressão com moderação, ou nenhuma, na hora de gravar, para manter a dinâmica natural e poder decidir depois.
Pequenas mudanças de distância e ângulo mudam muito o timbre, então mexa no microfone e escute antes de apertar o rec.
Um microfone de sala mais afastado acrescenta espaço. Você pode misturar ele a gosto ou deixar de fora e colocar reverb depois.
Kick, baixo e lead continuam sendo o núcleo de uma faixa de psytrance. As partes ao vivo devem complementar esses elementos, não tomar conta.
Comece pelo timing. Alinhe as takes com o grid e ajuste os pontos soltos, mas não quantize tudo até matar: um pouco de sensação humana é justamente o motivo de você ter gravado ao vivo.
Depois dê a cada parte o seu espaço no espectro. Um filtro passa-alta em quase toda faixa ao vivo deixa o grave livre para o kick e o baixo. Se um riff de guitarra briga com uma linha de synth, corte um pouco de médios em um dos dois. Uma compressão suave deixa a performance mais uniforme, para ela ficar bem ao lado dos sons eletrônicos, que são muito constantes.
Coloque as partes ao vivo fora do centro no pan, enquanto kick e baixo ficam no meio. Movimentos pequenos geralmente funcionam melhor do que tudo para a esquerda e para a direita.
Reverb e delay colocam as gravações no mesmo espaço do resto da faixa. Um reverb compartilhado num send ajuda tudo a soar como uma sala só. Reverbs plate e hall soam encorpados, o spring soa vintage. Reverb demais borra a mixagem, então controle o sinal molhado.
Delays curtos engordam um som, os mais longos criam ecos rítmicos que funcionam bem em flautas, guitarras e vozes. O chorus alarga uma parte, o phaser dá um movimento de rodopio. Use modulação com sutileza, para o instrumento brilhar sem tirar a atenção do groove.
Por fim, automatize. Mais reverb chegando no build-up, menos no breakdown, uma parte entrando aos poucos ao longo de 16 compassos: esse tipo de movimento mantém os elementos ao vivo vivos ao longo de uma faixa longa. De vez em quando, compare o resultado processado com a gravação crua, para saber se os efeitos estão mesmo ajudando.