Produção musical

Trabalhando com MIDI na produção de psytrance

O que o MIDI faz, como escolher um controlador e como usar sequências, arpejadores, automação e instrumentos virtuais nas suas faixas de psytrance.

3 min de leitura

Working with MIDI in psytrance music production
Controlador MIDI e DAW num home studio

Quase toda faixa de psytrance é construída em cima de MIDI. O baixo, os leads, os arpejos e boa parte do movimento do som vêm de notas e dados de controle que você pode editar a qualquer momento. Veja o que o MIDI faz e como usar bem.

O que é MIDI

MIDI (Musical Instrument Digital Interface) é um protocolo que manda informação sobre notas, não áudio. Quando você aperta uma tecla num controlador, ele diz à sua DAW ou ao synth qual nota foi tocada, com que força (velocity) e por quanto tempo. Aí o instrumento gera o som.

Isso deixa o MIDI flexível. Você pode mudar o timing, a altura e a velocity de qualquer nota sem gravar nada de novo. Se uma melodia não funciona, você move umas notas em vez de começar do zero. O MIDI também leva dados de controle, então o mesmo sinal pode mexer no cutoff do filtro, na ressonância ou na modulação de um synth enquanto você toca.

Escolhendo um controlador

Existem três tipos principais: controladores de teclado para melodias e acordes, controladores de pads para disparar samples e programar batidas, e superfícies de controle cheias de knobs e faders. Muitos aparelhos juntam esses tipos.

  • Tamanho: 61 teclas ou mais dão espaço para acordes e linhas de baixo. Um controlador de 25 ou 49 teclas com mudança de oitava basta para a maior parte do trabalho com psytrance e cabe numa mesa pequena.
  • Velocity e aftertouch: teclas e pads sensíveis à velocity respondem à força com que você toca. O aftertouch deixa você modular um som depois de a tecla estar apertada, útil para leads expressivos.
  • Knobs e faders: controles atribuíveis deixam você mexer em cutoff, ressonância e efeitos na mão, o que muitas vezes é mais rápido do que desenhar automação.
  • Software e compatibilidade: confere se o controlador funciona com a sua DAW. Software incluído pode ser um bônus.
  • Qualidade de construção: teclas e pads resistentes fazem diferença se você toca ao vivo ou usa o controlador todo dia.

Programando sequências

Notas MIDI e automação num piano roll

Começa com uma ideia simples, um motivo curto ou uma progressão de acordes, e toca ou desenha no piano roll. Testa em oitavas diferentes: uma oitava acima abre espaço, uma harmonia mais grave dá peso. Depois edita timing e velocity nota por nota.

A quantização prende as notas ao grid, o que dá ao psytrance aquela sensação firme e marcada. Partes totalmente quantizadas podem soar mecânicas, então coloca um pouco de swing ou humanização onde combinar com a parte, e varia as velocities para dar vida a uma linha. Pads e acordes ficam por baixo da melodia principal e devem apoiar ela, não cobrir.

Efeitos MIDI e automação

Efeitos MIDI mudam os dados das notas antes de chegarem ao instrumento. Um arpejador transforma um acorde segurado numa sequência de notas soltas, a origem de muitos padrões rápidos e rolantes de psytrance. Brinca com rate, swing e duração das notas. Um gerador de acordes transforma uma nota num acorde completo, e as opções de inversão te dão voicings diferentes.

A automação traz mudança ao longo do tempo. Um cutoff de filtro subindo cria tensão num breakdown, mais reverb abre espaço, uma curva lenta até o drop aumenta a expectativa. Cada movimento de automação deve ter uma função no arranjo. Alguns produtores mantêm pistas MIDI separadas só para dados de controle, pra deixar as pistas de notas limpas.

MIDI e instrumentos virtuais

Monta uma pista por instrumento na sua DAW e garante que o MIDI do controlador chega no instrumento certo. Synths como Serum, Massive e Sylenth1 são muito usados no psytrance para baixos, leads e pads. Presets são um bom ponto de partida, mas aprende a ajustar os osciladores, por exemplo ondas saw e quadradas para um som encorpado, e usa um low-pass para domar os agudos.

Empilha vários instrumentos para um som mais cheio, por exemplo um lead brilhante sobre um pad mais escuro, e equilibra tudo com volume e pan. Usa LFOs e outras fontes de modulação no pitch, no cutoff ou nos níveis de efeito para os sons continuarem se mexendo. Reverb, delay e distorção nas pistas dos instrumentos moldam ainda mais a personalidade, e tempos de delay sincronizados ao andamento criam ecos rítmicos que se encaixam nas suas sequências.

O MIDI também pode controlar synths e drum machines de hardware. Um setup híbrido que manda MIDI tanto para software quanto para hardware junta a personalidade analógica com a precisão do computador, desde que você mantenha o roteamento organizado.