Aprendendo a produzir psytrance desmontando faixas clássicas
Coloque uma faixa clássica na sua DAW e descubra como ela foi feita: kick e baixo, percussão, leads e harmonia, arranjo e mixagem. No que prestar atenção e o que aproveitar.
Como escolher, moldar e empilhar samples numa faixa de psytrance, do time-stretching e das inversões ao arranjo, e o que você precisa saber sobre liberar samples.
Samples estão por toda parte no psytrance: kicks e percussão de sample packs, trechos de voz e diálogos, gravações de campo, loops e one-shots. Bem usados, eles trazem um caráter difícil de conseguir só com um synth. Veja como escolher, moldar e encaixar samples numa faixa, e com o que tomar cuidado do ponto de vista legal.
Comece pelo clima da faixa. Uma faixa noturna dark e hipnótica pede sons diferentes de uma faixa pra manhã, mais pra cima. Sample packs feitos pra psytrance são um bom ponto de partida pra kicks, percussão, FX e atmosferas. Depois vá além: trechos de voz, gravações de campo de água ou de pássaros, gravações dos seus próprios instrumentos ou de objetos que você encontrou. Fontes inusitadas muitas vezes são o que torna uma faixa reconhecível.
Antes de se decidir por um sample, coloque ele no projeto e escute como ele se encaixa com o resto. Confira o tom e o andamento. A maioria das DAWs ajusta os dois automaticamente, mas um sample que briga em afinação com a sua bassline vai dar problema mais pra frente. Seja seletivo: um sample bom faz mais do que cinco medianos.
O time-stretching muda o andamento de um sample sem mudar a afinação, o que ajuda a encaixar loops no seu projeto. O pitch-shifting leva ele pro seu tom, e em doses extremas transforma sons comuns em texturas estranhas. Combine os dois e um sample pode terminar bem longe do caráter original.
Inverter é outro clássico. Um prato, uma voz ou um loop de bateria invertido conduz muito bem pra um drop ou pra uma parte nova. Pique loops em fatias curtas e reorganize pra criar ritmos novos. Os efeitos fazem o resto: reverb e delay colocam uma voz num espaço enorme, a distorção traz sujeira e os efeitos de modulação trazem movimento. Automatizar esses efeitos ao longo de uma parte mantém o som vivo.
Construa de baixo pra cima. Comece pelo kick e pelo baixo e faça os dois funcionarem juntos, com sidechain ou volume shaping pra que eles não briguem nos graves. Depois acrescente percussão, pads, stabs melódicos e atmosferas. Use um filtro passa-altas em tudo que não precisa de grave, e EQ pra dar a cada camada a sua faixa de frequência.
Use os samples pra moldar o arranjo. Comece enxuto e traga elementos novos com o tempo. Risers, varreduras e frases curtas de voz funcionam bem como transições e sinalizam mudanças de energia. Um reverb longo num sample durante um breakdown cria um pano de fundo amplo, enquanto sons secos e na cara continuam presentes nos momentos-chave. Volte sempre ao arranjo e tire o que não acrescenta nada. Uma mix lotada perde o pulso.
O direito autoral protege não só as composições, mas também as gravações. Se você pega um sample de uma faixa lançada comercialmente, precisa da autorização dos detentores dos direitos, o que normalmente significa negociar uma licença e muitas vezes pagar por ela.
O jeito simples de evitar isso são os samples royalty-free. A maioria dos sample packs comerciais vem com uma licença que deixa você usar os sons nos seus próprios lançamentos. Leia os termos mesmo assim, porque alguns packs restringem certos usos. Sons em Creative Commons também podem ser usados, mas as condições variam: alguns exigem crédito, outros proíbem uso comercial.
Alguns produtores acham que um sample está liberado quando foi processado até ficar irreconhecível. Não conte com isso. Até onde esse tipo de uso é permitido muda de país pra país e é uma zona cinzenta jurídica. Se estiver em dúvida, peça orientação ou troque o sample por um do qual você tem os direitos. E quando o trabalho de outros artistas faz parte da sua faixa, dê o crédito.