Gravando instrumentos ao vivo para psytrance
Quais instrumentos ao vivo combinam com psytrance, como gravar e microfonar cada um e como encaixar tudo numa mixagem construída em volta de kick e baixo.
Coloque uma faixa clássica na sua DAW e descubra como ela foi feita: kick e baixo, percussão, leads e harmonia, arranjo e mixagem. No que prestar atenção e o que aproveitar.
Um dos melhores jeitos de aprender a produzir psytrance é desmontar faixas que você ama. Coloque uma faixa clássica na sua DAW, escute seção por seção e descubra o que cada elemento faz. O Infected Mushroom das antigas é um bom lugar para começar, e o Shpongle mostra quanto detalhe pode entrar no sound design da música psicodélica. Veja no que prestar atenção.
Comece pelo grave, porque é ele que move tudo. O psytrance clássico tem um kick four-on-the-floor com pegada e um baixo rolante que toca nos buracos entre os kicks, normalmente nas três semicolcheias depois de cada tempo. Kick e baixo não soam no mesmo momento, o que mantém o grave firme enquanto o groove continua empurrando para a frente.
Escute o quanto a cauda do kick é curta, quanto dura cada nota do baixo e como o timbre do baixo muda com o tempo. Muitas faixas mantêm o mesmo padrão por minutos e criam movimento só abrindo e fechando devagar o filtro do baixo. Tente reconstruir o padrão na sua DAW e chegar no mesmo som de ouvido.
Acima do kick fica uma camada de percussão. Hi-hats fechados, muitas vezes no contratempo, carregam o groove principal; hi-hats abertos marcam as transições. Claps, snaps e outras percussões trazem síncope e densidade. Preste atenção nos detalhes: mudanças de velocity, ghost notes e flams que deixam a bateria menos dura.
Repare também no que acontece antes de um drop. Viradas, rolos de snare que aceleram, varreduras de filtro e automação de volume na percussão criam tensão, e os breakdowns tiram a maior parte do ritmo para pads e efeitos tomarem conta.
Os leads do psytrance clássico são brilhantes e estão sempre em movimento. As ferramentas típicas são síntese subtrativa com onda dente de serra ou quadrada e um passa-baixa automatizado, camadas desafinadas para um som mais largo, síntese FM para timbres metálicos e penetrantes, modulação de largura de pulso e síntese wavetable para sons que se transformam com o tempo. Quando você analisar um lead, tente recriar: qual forma de onda, qual movimento de filtro, quanto delay e reverb.
Na harmonia, muitas faixas clássicas ficam perto de um centro tonal só por trechos longos e criam tensão com riffs, leads e dissonância, e não com grandes mudanças de acorde. Os leads muitas vezes tocam notas dos acordes de base, e o pergunta e resposta entre lead e baixo é comum. Os pads por baixo apoiam a harmonia e preenchem o espaço.
O sampling também tem o seu papel: trechos de voz, gravações de campo e FX feitos sob medida, muitas vezes esticados, transpostos ou invertidos. Risers e impacts marcam as transições entre as seções.
Mapeie a estrutura da faixa. Marque onde cada elemento entra e sai, onde ficam os breakdowns e quanto tempo duram os build-ups. Você vai ver que uma faixa clássica acrescenta e tira elementos num ritmo constante, de modo que algo muda a cada poucos compassos. É esse padrão de tensão e alívio que mantém uma pista presa por oito ou dez minutos, e ele é fácil de copiar como template para as suas próprias faixas.
Por fim, escute o equilíbrio. Compare os níveis de kick, baixo, leads e percussão com a sua própria mixagem na mesma loudness. Repare como os leads têm o grave cortado para não apertar o baixo, como o reverb é usado sem embolar a mixagem e o quanto a faixa é alta no geral, mantendo ainda um pouco de dinâmica.
O objetivo não é copiar uma faixa nota por nota, mas entender por que ela funciona. Pegue as técnicas que você descobrir e use nas suas próprias produções.