Produção musical

Como montar um estúdio de psytrance gastando pouco

Onde gastar e onde economizar: equipamento essencial, tratamento acústico caseiro e barato, software gratuito e acessível, e dicas pra trabalhar numa sala pequena.

4 min de leitura

Building a professional psytrance studio on a budget
Home studio compacto com monitores, teclado e notebook

Você não precisa de um estúdio caro pra fazer um psytrance que segura a onda num sound system grande. O que você precisa é de alguns equipamentos bem escolhidos, uma sala que não engana seus ouvidos e um software que você conhece de cabo a rabo. Aqui vai onde vale gastar e onde dá pra economizar.

O equipamento essencial

  • Monitores de estúdio. Sua compra mais importante. Procure uma resposta de frequência plana e equilibrada, pra que suas mixagens soem bem em qualquer lugar. KRK, JBL e Yamaha têm modelos de entrada que funcionam bem pra quem está começando.
  • Interface de áudio. Ela liga o computador aos monitores, microfones e instrumentos. Focusrite e PreSonus fazem interfaces acessíveis com várias entradas, o que ajuda pra gravar synths de hardware. Confira se ela tem monitoramento de baixa latência.
  • Microfone. Só é necessário se você grava vocais, instrumentos ou seus próprios efeitos. Um microfone dinâmico ou um condensador barato da Audio-Technica ou da Rode resolve a maioria dos casos.
  • Computador. Ele tem que rodar sua DAW e seus plugins sem engasgar. Uma máquina mais antiga ou recondicionada com mais RAM e um SSD mais rápido muitas vezes já basta.
  • Controlador MIDI. Um controlador compacto de 25 teclas com pads, knobs e faders agiliza a programação de basslines e padrões de synth. Akai e Novation têm modelos pequenos pra orçamento apertado.
  • Cabos. Cabos blindados decentes mantêm ruído e interferência longe do seu sinal. São baratos, então não economize nisso.

Tratamento acústico gastando pouco

Uma sala sem tratamento colore o que você escuta, e aí você acaba mixando a sala em vez da faixa. Monte sua mesa de forma simétrica entre as paredes laterais, pra que as duas caixas interajam com a sala do mesmo jeito.

Painéis absorventes caseiros feitos de lã de rocha ou lã de vidro revestidos com tecido custam uma fração dos comerciais e funcionam bem nos médios e agudos. Coloque nos pontos de primeira reflexão: sente na sua posição de mixagem e peça pra um amigo deslizar um espelho pelas paredes laterais. Onde você enxergar uma caixa no espelho, ali vai um painel.

As frequências graves se acumulam nos cantos, e no psytrance o grave é tudo. Isolante grosso empilhado nos cantos vira um bass trap simples. Bass traps prontos custam mais, mas economizam tempo.

Não esqueça do teto e do chão. Um tapete sobre piso duro e material absorvente num teto baixo ajudam, principalmente em salas pequenas. Sofás, cortinas e outros móveis macios também absorvem reflexões, e no aperto, cortinas pesadas, cobertores ou edredons em volta da posição de mixagem são melhores que nada.

Quando terminar, coloque faixas de psytrance que você conhece bem e escute com ouvido crítico. Mude os painéis de lugar ou acrescente mais até a sala soar equilibrada.

Software e plugins

Escolha uma DAW que combine com o seu jeito de trabalhar. Ableton Live, FL Studio e Reaper são todas populares, e o Reaper tem um período de teste generoso e uma licença barata. Aprenda primeiro os synths e efeitos nativos: eles cobrem muito mais do que a maioria dos iniciantes imagina.

Depois acrescente alguns extras bem escolhidos:

  • A Native Instruments e a Spitfire Audio oferecem instrumentos gratuitos, e o Serum da Xfer, um synth wavetable muito usado pra baixos e leads de psytrance, vive em promoção.
  • O Valhalla Supermassive é um reverb e delay gratuito, e o MFreeFXBundle da MeldaProduction é um pacote grátis de efeitos pro dia a dia.
  • Splice e Loopmasters oferecem samples ou assinaturas acessíveis com loops de synth, percussão e vocais.
  • Lojas como a Plugin Boutique fazem promoções e bundles com frequência.

Fóruns e comunidades de produtores são bons lugares pra ficar sabendo de ferramentas gratuitas, e o YouTube tem tutoriais sem fim sobre sound design, arranjo e mixagem de psytrance.

Soluções caseiras e gambiarras

Mesa organizada com os cabos bem arrumados

Uma mesa que você já tem serve muito bem como estação de trabalho, desde que a tela e o teclado fiquem numa altura confortável pra sessões longas. Abraçadeiras de velcro e clipes de cabo deixam tudo arrumado, e um estúdio arrumado é um estúdio onde dá vontade de trabalhar.

Se você tem algum equipamento externo, um patch bay caseiro montado com conectores de loja de eletrônica e um pouco de solda deixa suas conexões organizadas e facilita testar caminhos de sinal diferentes. Kits de synth baratos pra montar você mesmo são um jeito divertido de aprender como a síntese funciona, e o circuit bending pode gerar sons distorcidos e inusitados.

Seu celular ou tablet pode servir de bloco de rascunho. Apps como o FL Studio Mobile ou o Caustic 3 deixam você registrar ideias em qualquer lugar e terminar depois no estúdio.

Criatividade numa sala pequena

Deixe tudo o que você usa com frequência ao alcance da mão. Prateleiras na parede liberam espaço na mesa pra equipamento ou pra um quadro branco de ideias, e uma mesa dobrável abre espaço quando alguém vem colaborar. Alguns toques pessoais, como arte ou plantas, ou um mood board com referências visuais e sonoras, deixam o espaço com a sua cara.

Alguns hábitos também ajudam:

  • Reserve sessões regulares só pra experimentar, sem a pressão de terminar uma faixa.
  • Trabalhe em blocos curtos com pausas, por exemplo com a técnica Pomodoro, pra evitar cansaço no ouvido e na cabeça.
  • Limite suas ferramentas de propósito. Um punhado de instrumentos que você conhece bem vale mais que centenas de plugins que você nunca abre.
  • Colabore, ao vivo ou à distância. Outros produtores trazem técnicas novas e feedback sincero.