Aprendendo a produzir psytrance desmontando faixas clássicas
Coloque uma faixa clássica na sua DAW e descubra como ela foi feita: kick e baixo, percussão, leads e harmonia, arranjo e mixagem. No que prestar atenção e o que aproveitar.
Samples falados, frases picotadas e refrões completos: o que a voz faz numa faixa de psytrance e como usar camadas, processar e posicionar os vocais.
O psytrance é quase todo instrumental, e é exatamente por isso que a voz se destaca quando aparece. Um sample falado curto, uma frase picotada ou um refrão vocal completo podem dar a uma faixa identidade, um tema e um momento que a galera lembra. Veja como as vozes são usadas no gênero e como trabalhar com elas nas suas produções.
A voz traz um elemento humano pra um som que, fora isso, é sintético. Uma frase bem colocada pode ancorar uma faixa, guiar quem escuta de uma parte pra outra e marcar o pico de um build-up. Frases repetidas reforçam o lado hipnótico do gênero: quem escuta se acostuma com elas, e cada variação vira um acontecimento.
Na pista, a voz cria momentos compartilhados. Um refrão ou uma frase de pergunta e resposta é algo a que a multidão inteira reage ao mesmo tempo. Por isso muitos produtores pensam na pista quando posicionam os vocais, e por isso algumas apresentações em festivais trazem vocalistas ao vivo em cima da música.
Por muito tempo, o psytrance usou principalmente samples em vez de partes cantadas: trechos de spoken word, frases curtas e vozes processadas que funcionam como textura. Refrões vocais completos ficaram mais comuns conforme a cena e os festivais cresceram, e hoje as duas abordagens convivem.
Empilhar vários takes de voz, harmonias ou frases de fundo deixa o vocal mais cheio. Contramelodias que se entrelaçam com a linha principal trazem profundidade.
Baixar o pitch de uma voz dá a ela um caráter mais escuro, que combina com faixas mais profundas; subir o pitch pode deixar ela mais brilhante e eufórica pros momentos de pico.
Cortar uma voz em pedaços curtos, fazer stutter ou reorganizar os pedaços transforma ela num elemento rítmico que se encaixa no groove.
Reverb e delay colocam a voz num espaço. Caudas longas de reverb fazem linhas etéreas soarem enormes, enquanto um delay sincronizado com o andamento mantém o ritmo sem embolar a mix. A distorção traz sujeira. Vocoders e síntese granular podem transformar uma frase normal em algo estranho e de outro mundo.
Bibliotecas de samples, gravações de arquivo e gravações de campo são todas fontes possíveis. Garanta que você tem os direitos do que usa, principalmente se estiver planejando um lançamento.
A voz briga com os leads nos médios, então dê espaço pra ela. Corte as frequências que competem nos outros elementos e deixe a voz entrar onde o arranjo fica mais vazio, por exemplo num breakdown ou logo antes de um drop. Não deixe uma voz rodar pela faixa inteira: uma frase que aparece nos momentos certos tem mais impacto do que uma que nunca para.
A textura e o timbre da voz moldam a atmosfera tanto quanto as palavras. Vozes sonhadoras e etéreas criam um clima de flutuação, uma voz seca e próxima soa direta e urgente. Escolha o processamento de acordo com o papel que a voz tem naquela parte da faixa.
Se você usar letra, ela tem que combinar com a faixa e com a cultura em volta dela. Natureza, meio ambiente, comunidade e consciência são temas com que muitos ouvintes se conectam. Trabalhar com vocalistas que entendem a cena ajuda o resultado a soar autêntico, e não colado de qualquer jeito.
Várias tendências estão moldando o futuro da voz no psytrance. Softwares de síntese vocal permitem criar performances vocais sem cantor. Colaborações com vocalistas de world music, ambient ou hip-hop trazem estilos novos pro gênero. Vozes ao vivo em festivais estão ganhando espaço, e grandes bibliotecas de samples online deixam os produtores combinar vozes em línguas diferentes numa mesma faixa. Muitos artistas também estão escolhendo temas que refletem questões ambientais e sociais.