Traktor: um olhar técnico sobre o software de DJ
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L-Acoustics, d&b audiotechnik, Funktion-One, Meyer Sound e JBL: o que marca cada sistema de som de festival, o que os festivais de psytrance usam e o que faz um som ser bom.
Os melhores sistemas de som pra festivais em 2026 vêm de um grupo pequeno de marcas profissionais: L-Acoustics, d&b audiotechnik, Funktion-One, Meyer Sound e JBL. Quase todo palco grande tem uma delas. Qual é a "melhor" depende do lugar, do orçamento e principalmente da equipe que projeta e afina o sistema.
Nos festivais de psytrance, dois nomes aparecem nos relatos publicados. A Funktion-One fez o som dos dois palcos do Burning Mountain, na Suíça, e a d&b audiotechnik cuidou de cinco palcos do Boom, em Portugal. Abaixo a gente explica o que faz um bom som de festival, o perfil de cada marca e o que conseguimos confirmar sobre os sistemas nos festivais de psytrance.
Um bom sistema depende menos da marca e mais de quatro coisas funcionando juntas. O psytrance deixa tudo mais difícil que a maioria dos gêneros: o kick e o baixo rolando ficam colados no grave, e se o sistema embola os dois, o groove some.
O som precisa ser quase igual na frente, no meio e no fundo da pista, sem aquela zona que machuca perto das caixas. Palcos grandes costumam usar line arrays: colunas altas e curvas de caixas que jogam o som por igual a grandes distâncias. Algumas marcas preferem projetos de fonte pontual, que muita gente descreve como mais diretos e com mais pegada. Os dois funcionam quando o sistema é pensado pro lugar.
Os subs carregam o kick e o baixo. Bons sistemas posicionam os subs pra que o grave fique na pista e não vaze pra trás, pro palco ou pro camping. Arrays de subs cardioides, que cancelam o grave atrás das caixas, viraram comuns justamente por isso. Pro psytrance, o grave tem que ser seco e rápido, pra cada nota do baixo ficar separada do kick.
Numa pista grande, o som perde força lá no fundo. Em vez de aumentar o sistema principal até castigar quem está na grade, a equipe coloca caixas extras em torres mais atrás. Elas recebem um atraso eletrônico pra que o som chegue junto com o do palco. Bem feito, você tem som limpo e igual na pista toda com volume geral mais baixo.
Quase todo festival trabalha com limites de ruído definidos pelas autoridades, medidos normalmente na mesa de som e na borda do terreno. Vizinhos, áreas de preservação e os outros palcos entram na conta. Um bom projeto mantém o som onde ele deve ficar. No Boom, a equipe da d&b usou software de previsão pra evitar que os palcos grandes vazassem um no outro e registrou uma queda de cerca de 20 dB fora da tenda principal.
As mesmas caixas podem soar incríveis ou horríveis dependendo do posicionamento, da afinação e de quem está na mesa. Um sistema intermediário bem afinado ganha sempre de uma marca top mal montada.
A L-Acoustics foi fundada em 1984 pelo físico Christian Heil e fica em Marcoussis, ao sul de Paris. Em 1992 lançou o V-DOSC, um line array baseado na sua Wavefront Sculpture Technology, e essa ideia moldou o som dos grandes palcos desde então. Se você já viu aquelas colunas pretas compridas em formato de banana penduradas sobre um palco, há boas chances de serem L-Acoustics.
O sistema K1, lançado em 2008, foi pensado principalmente pra grandes festivais e estádios. Depois vieram K2 e Kara pra palcos médios e menores. A nova série L chegou em 2023, e em 2026 a marca lançou a fonte linear L1 e o subwoofer cardioide CS1. A L-Acoustics também tem o L-ISA, sua tecnologia de som imersivo pra shows. Perfil: cobertura muito uniforme e som limpo e controlado a longa distância.
A d&b audiotechnik foi fundada em 1981 por Jürgen Daubert e Rolf Belz e fica em Backnang, perto de Stuttgart, na Alemanha. Lançou o Cardioid Subwoofer Array em 2004 e o line array J-Series em 2006, depois o sistema imersivo Soundscape em 2017 e o line array GSL em 2018. Perfil: preciso, controlado e muito bom em manter o som dentro da área onde ele deve ficar.
Esse controle combina com um festival como o Boom. Segundo um estudo de caso publicado pela d&b, cinco palcos do Boom usaram seus sistemas, incluindo o Dance Temple e o Alchemy Circle, com line arrays J-Series e subs cardioides J-SUB e SL-GSUB. Os técnicos usaram os softwares ArrayCalc e NoizCalc da d&b pra planejar a cobertura e evitar interferência entre palcos.
A Funktion-One foi fundada em 1992 por Tony Andrews e John Newsham, que em 1978 tinham criado a fabricante de caixas Turbosound. Fica em Dorking, no condado de Surrey, na Inglaterra. As linhas atuais incluem Vero e Vero VX pra palcos grandes, a Evolution, de fonte pontual, e o Dance Stack, instalado no Berghain, em Berlim. Aqui no Brasil, o D-Edge, em São Paulo, aparece entre os clubes com sistema Funktion-One.
Perfil: direto, com muita pegada e bem físico, com médios que você sente no peito e fama de clareza mesmo em volume alto. Por isso é tão querido pelo público de música eletrônica. No Burning Mountain de 2022, a Funktion-One cuidou dos dois palcos: um sistema Vero VX no principal, com duas colunas de seis VX90 e doze graves V124, e um sistema Evolution no segundo palco. Nossa página do festival também registra Funktion-One como o sistema de som do evento.
A Meyer Sound foi fundada em 1979 por John e Helen Meyer em Berkeley, na Califórnia. O Grateful Dead foi cliente por muitos anos. A marca é conhecida pelas caixas ativas, com o amplificador dentro da caixa, e pela família LEO de grandes line arrays.
O line array PANTHER tem amplificador classe D embutido e foi feito pra turnês, festivais, arenas e teatros; a turnê de estádios do Ed Sheeran com palco no centro foi montada com ele. A Meyer também fabrica o Constellation, um sistema eletroacústico que muda a acústica de uma sala. Perfil: neutro, preciso e detalhado, o que favorece a música eletrônica densa quando está bem afinado.
A JBL foi fundada em 1946 por James Bullough Lansing e faz parte da Harman, que pertence à Samsung. Quase todo mundo conhece a JBL pelas caixinhas de som, mas o lado profissional tem muita história em festival: havia componentes JBL no sistema de som de Bill Hanley em Woodstock, em 1969.
Hoje o carro-chefe pra turnês é a linha VTX. O VTX A12 é um line array com dois falantes de 12 polegadas e 90 graus de cobertura horizontal, feito pra turnês médias e grandes e instalações de alto padrão, e trabalha junto com o sub VTX B28. Perfil: potente e muito presente nas locadoras, por isso aparece bastante em grandes eventos de todos os gêneros.
Festivais quase nunca publicam o rider técnico completo, então só listamos o que conseguimos confirmar em relatos publicados ou nos nossos dados de festivais.
Se você produz, ajuda saber o que esses sistemas fazem com o seu grave. Nossos artigos sobre frequências no psytrance e sobre como fazer um baixo rolando explicam por que kick e baixo precisam de espaço num sistema grande.
Não existe um vencedor único. L-Acoustics, d&b audiotechnik, Funktion-One, Meyer Sound e JBL fazem o som de grandes palcos de festival. A melhor escolha depende do lugar, dos limites de ruído, do orçamento e da equipe. Um sistema bem projetado e bem afinado vale mais que a marca.
Pelo que conseguimos confirmar: Funktion-One no Burning Mountain, d&b audiotechnik no Boom, Martin Audio no palco principal do Ozora em 2018 e Clear Sound no VooV. Muitos festivais menores alugam de empresas locais, então a marca pode mudar de um ano pro outro.
Line arrays espalham o som por igual a longa distância e funcionam bem em pistas grandes e compridas. Sistemas de fonte pontual costumam ser descritos como mais diretos e com mais pegada e vão bem em pistas pequenas e médias. Os dois podem soar muito bem quando são pensados pro espaço.
Caixas extras em torres mais pro fundo da pista. O sinal delas é atrasado pra chegar junto com o som do palco. Assim quem está atrás ouve bem sem que a frente fique alta demais.
As autoridades definem limites de ruído pra proteger vizinhos e a natureza, e os festivais também precisam proteger a audição do público. Bom projeto, subs cardioides e torres de delay ajudam a soar cheio sem passar do limite. Leve protetor auricular mesmo assim.