Tensão e alívio no psytrance: como moldar uma faixa
Como criar tensão com camadas, filtros e motivos, como preparar um build-up e como fazer o drop ou o breakdown soarem como um alívio de verdade.
As ferramentas que você realmente precisa, como organizar arquivos e templates e por que trabalhar em etapas faz as suas faixas de psytrance ficarem prontas mais rápido.
Um bom workflow quer dizer que você gasta o seu tempo de estúdio com música, e não procurando arquivos ou remontando o mesmo setup a cada faixa. Veja como organizar as suas ferramentas, os seus projetos e o seu processo para as ideias virarem faixas terminadas mais rápido.
O centro de tudo é a sua DAW. Ableton Live, FL Studio e Logic Pro são todas populares no psytrance. O Ableton é muito elogiado pelo workflow baseado em clips, que facilita testar arranjos de loops, mas a melhor DAW é aquela que você conhece bem.
Além disso, você precisa de uma interface de áudio (por exemplo das linhas Focusrite Scarlett ou Universal Audio Apollo), monitores de estúdio como as séries Yamaha HS ou KRK Rokit e um fone decente para conferir os detalhes. Para sound design, synths de software como Serum, Massive e Sylenth1 cobrem a maioria dos sons de psytrance; as wavetables do Serum são especialmente flexíveis. Coleções como o Analog Lab da Arturia trazem emulações analógicas clássicas. Para a bateria, sample packs da Vengeance ou da Loopmasters dão um ponto de partida para os kicks, mas geralmente você mesmo vai processar e empilhar eles.
Não compre tudo de uma vez. Aprender um synth a fundo te leva mais longe do que ter dez.
Dê a cada projeto a sua pasta, com um conjunto fixo de subpastas, por exemplo Samples, Synths, MIDI, FX, Templates e Stems. Dentro da sua biblioteca de samples, separe por tipo: bateria, baixo, leads, atmosferas, risers, downlifters e impacts. Quando um riser está a três cliques de distância, você usa ele enquanto a ideia ainda está fresca.
Dê nomes a presets e arquivos de um jeito que você consiga achar depois, com o projeto e o tipo de som no nome, como NomeDoProjeto_Lead_01. Guarde os clips MIDI de que você gosta, como linhas de baixo, melodias e arpejos, para poder arrastar eles para um projeto novo em vez de começar do zero.
Dentro da DAW, nomeie as faixas e use cores. Quando você sentar para mixar, vai querer ver de relance onde estão a bateria, o baixo e os leads.
Um template de projeto é o que mais economiza tempo. Configure uma vez com as suas faixas de sempre para kick, baixo, percussão, leads, pads e FX, as cadeias de efeitos que você sempre usa, os buses de grupo e um espaço para a faixa de referência. Assim, toda faixa nova começa de uma base que funciona, e não de uma tela vazia.
O mesmo vale para o sound design. Quando você criar um baixo ou um lead de que gosta, salve como preset na hora. Com o tempo, você monta a sua própria biblioteca de pontos de partida que já soam como você.
Separe as tarefas. Primeiro acerte o groove: kick e baixo rolante bem travados juntos. Depois construa os sons e o loop principal. Depois arranje: intro, build-ups, drop, breakdown, outro. Use risers, rolos de snare e automação de filtro para levar aos drops, e breakdowns para dar a quem escuta um momento de respiro antes do próximo build. Só então passe para a mixagem.
Trocar entre essas tarefas a cada poucos minutos te deixa mais lento, porque cada uma pede um tipo diferente de atenção. O sound design convida a ajustes sem fim; o arranjo exige que você dê um passo para trás e escute a faixa inteira.
Mantenha a mixagem arrumada enquanto trabalha, para ela nunca virar uma bagunça. Alguns hábitos ajudam:
Mixe em sessões curtas para evitar fadiga auditiva e compare a sua faixa com lançamentos de psytrance que você admira. Essas pausas também fazem parte do workflow: com ouvidos descansados você escuta em cinco minutos problemas que deixou passar em uma hora de escuta cansada.