Produção musical

Como encontrar o seu próprio estilo no psytrance

Domine o básico, pegue emprestado dos subgêneros, traga as suas influências: passos práticos para um som de psytrance que seja reconhecidamente seu.

3 min de leitura

How to develop your unique style in psytrance
Produtor de psytrance trabalhando numa faixa

O psytrance tem regras claras: um kick reto em todo tempo, um baixo rolante, faixas longas feitas para a pista. Isso facilita soar igual a todo mundo. Um estilo próprio vem de conhecer bem essas regras, escolher quais delas dobrar e trazer o que só você traz. Veja por onde começar.

Conheça os fundamentos

Antes de quebrar as regras, você precisa dominar elas. A maior parte do psytrance roda entre uns 135 e 150 BPM, com o kick em todo tempo e o baixo preenchendo os buracos entre os kicks. Aprenda a fazer esse kick e esse baixo se encaixarem de forma limpa e aprenda como uma faixa típica é construída: uma intro que os DJs conseguem mixar, um groove principal, breakdowns que dão à pista um momento para respirar e build-ups que trazem a energia de volta.

É no sound design que boa parte do caráter de um produtor aparece. Passe tempo com um ou dois synths, seja hardware como o Virus TI ou software como Serum ou Massive, até conhecer eles bem. Pequenas mudanças na ressonância do filtro, nos envelopes e na modulação transformam um som suave num agressivo e vice-versa. Síntese FM e wavetable ampliam ainda mais a paleta.

Aprenda com os subgêneros

Cada subgênero do psytrance tem as suas ferramentas, e estudar elas te dá ideias para pegar emprestado.

  • Progressive é mais lento e cresce aos poucos, com sequências longas que evoluem, pads atmosféricos e uma percussão mínima que deixa espaço.
  • Full-on é pura energia, com um baixo que empurra, hooks grudentos e linhas de synth curtas e marcantes, feitas para o auge da noite.
  • Dark psytrance é mais rápido e mais estranho: sons dissonantes, padrões de bateria complexos, efeitos pesados e uma sensação constante de tensão.

Você não precisa escolher um. Muitos produtores marcantes combinam elementos, por exemplo a paciência do progressive com o sound design do dark psy. Repare em quais partes de cada estilo você sempre volta. Essas preferências são a matéria-prima do seu som.

Traga as suas próprias influências

O que você escuta fora do psytrance muitas vezes é o que te diferencia. Uma bagagem de dub pode aparecer em linhas de baixo profundas e delays espaçosos. Se você ama ambient, texturas e pads que evoluem podem virar a sua base. Técnicas de glitch e granulares podem vir da electronica que você curte.

Samples são outro jeito de deixar uma faixa pessoal. Gravações de campo, sons da natureza, trechos de voz ou instrumentos tradicionais como didgeridoo ou cítara trazem uma textura que ninguém mais tem. Processe eles com pitch shifting, time stretching ou efeitos granulares para que eles se encaixem na faixa em vez de ficar por cima dela.

As suas experiências também contam. Uma faixa pode carregar o clima de um lugar ou de um momento da sua vida. O contraste é uma ferramenta forte para isso: uma seção calma e melódica que vira algo áspero e intenso conta uma história sem palavras.

Synths e equipamento de estúdio para produção de psytrance

Hábitos de produção que ajudam

Conheça a sua DAW, seja Ableton Live, FL Studio ou Logic Pro, bem o bastante para ela não atrapalhar as ideias. Construa o grave primeiro e dê a pads, leads e arpejos o seu espaço com EQ. Use sidechain ou modelagem de volume para o kick aparecer. Traga movimento com LFOs e automação nos filtros e efeitos, principalmente nas transições.

Leve a mixagem a sério. Uma faixa que soa incrível no seu quarto mas desmonta num sistema de festival não vai ser tocada. Confira os seus níveis e a loudness comparando com lançamentos que você curte no mesmo estilo.

A sua identidade além da música

Um som reconhecível é mais fácil de lembrar quando tudo em volta combina. Pense no que a sua música expressa e deixe o seu nome, o logo, a arte e os visuais acompanharem isso. Um designer pode ajudar a transformar isso numa identidade visual coerente.

Compartilhe o seu trabalho e o seu processo em plataformas como SoundCloud, Instagram, Facebook e YouTube: trechos do estúdio, visualizers, a história de como uma faixa nasceu. Collabs e remixes com artistas cujo estilo complementa o seu trazem ideias novas e ouvintes novos. Vá a eventos, converse com outros produtores e peça feedback sincero.

Acima de tudo, continue. O seu estilo não vai aparecer numa faixa só. Ele cresce a partir de muitas, e deve continuar mudando junto com você.