Entrevistas

Magic Bullet

O DJ e produtor norte-americano Magic Bullet fala de como a cena psytrance mudou, das suas influências old school, da sua mensagem pra pista e do equipamento que ele curte.

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Magic Bullet

Magic Bullet nasceu nos Estados Unidos e vive viajando. Conheci ele há alguns anos em Tenerife (Ilhas Canárias, Espanha), numa festa de psytrance em que ele estava tocando. Ele é DJ e produz psytrance. Dá uma conferida nas faixas dele no SoundCloud.

O que te fascina na cultura psytrance?

Muita coisa, ou melhor: TUDO.
O amor, a dança, a cultura, a energia, a força, as pessoas, a sabedoria elevada que passa de uma alma pra outra.
Infelizmente tenho que dizer que, enquanto eu crescia com essa cultura e essa música ao meu redor, a cultura, o movimento psytrance, a época, a geração mudaram completamente. (TUDO MUDOU.)

A vibe old school de paz, amor, união e respeito (PLUR) só foi se desgastando com o tempo. Materialismo anda de mãos dadas com egocentrismo. Antes isso era visto como errado, uma contradição total com a origem da cultura, e, por incrível que pareça, na última década virou o foco principal.

Festivais brotam no mapa da noite pro dia, que nem cogumelo depois da chuva. Isso é bom, porque a cultura e a música chegam a todos os cantos do mundo. A expansão é boa, mas também traz o superficial, os wannabes, as pobres almas que entendem só pela metade a sinceridade e a pureza da cultura. Com a música é a mesma coisa.

Antes era sobre gente insegura e sem autoconfiança se abrindo através da meditação ativa (a dança) e se conectando umas com as outras, onde a noite virava manhã e os amigos viravam família. Hoje é tudo ego e julgamento com um sorriso no rosto.
Subgêneros novos vêm e vão, é um processo em constante mudança. O psytrance é uma cultura, então ainda vai ficar por aqui um bom tempo.

Quais são as suas influências musicais?

Pra ser sincero, minha primeira influência musical foi um amigo muito querido, engenheiro de som e artista e DJ em ascensão, que infelizmente morreu aos 22 anos, antes de deixar sua marca no mundo psicodélico. Lembro que Infected Mushroom era o nosso som naquela época.

Foi aí que meu coração se abriu e deixou entrar música nova na minha alma, passando por todo o old school: Goa Gil, Astral Projection, Shpongle, 1200 Micrograms, Indra, Astrix, Talamasca, GMS, Skazi, Electric Universe, Eskimo, Yahel, Vibe Tribe, Gataka, Wrecked Machines, Sub6, Space Buddha, Beat Hackers, Digicult, CPU, U-Recken, Azax Syndrom e muitos, MUITOS outros… você pegou a vibe.

No fim, o artista que realmente se conectou comigo, e que eu tive a sorte de conhecer e ver tocar em Goa nos meus primeiros tempos na família psy, foi e continua sendo… PSYKOVSKY!

Como artistas, a gente tem uma responsabilidade com o público. Qual é a coisa principal que você quer passar pra quem te escuta? Qual é a sua mensagem?

A mensagem é cristalina: Live, Laugh & Dance – viva, ria e dance!

VIVER: Viver é a coisa mais extraordinária do mundo. A maioria das pessoas só existe.
Então sai por aí e seja você mesmo, seja criativo, seja selvagem, seja você, faça do seu jeito, por você. Resumindo: abrace a sua esquisitice.

RIR: Uma risada é uma viagem de férias instantânea, um lugar feliz.
Todo mundo está em guerra com os próprios demônios. Confie no seu progresso e siga o fluxo, ame e valorize cada momento da vida rindo, porque a vida é curta demais. Aproveite ao máximo o que você tem agora, porque muita gente com menos sorte só pode sonhar com o que você tem. Sempre ache um motivo pra rir. Talvez isso não acrescente anos à sua vida, mas com certeza acrescenta vida aos seus anos.

DANÇAR: A dança é meditação ativa. A dança é a língua desconhecida da alma, então dance, porque você é um homem livre, uma alma livre, um pássaro livre, uma fênix, um dragão, um lobo. Quem e o que você quiser ser, você pode ser, porque o que você pensa é o que você cria.

PS: A vida é muito melhor quando você dança, e você fica lindo na pista de trance!

Se você pudesse começar de novo, o que faria diferente?

Queria responder essa pergunta por outro ângulo, porque sinto que cada dia em que a gente acorda é uma bênção, um presente, um novo começo, um novo dia, um novo processo: novos desafios, novas oportunidades, novas tarefas, novas responsabilidades, um novo clima, novos conhecidos, novos conhecimentos. Cada novo dia é mais uma chance de mudar sua vida, de recomeçar, de criar o que você deseja, porque a cada novo dia você não começa do zero. Você começa da experiência. Não perca esse momento!

Cita um equipamento do seu estúdio que você curte e conta por quê.

Sou um produtor iniciante, colocando a mão na massa com equipamento a passos de tartaruga. Com o tempo e a tecnologia de hoje, tem muita fera bonita por aí que eu queria ter nas mãos.

Quanto ao meu próprio estúdio, o Akai APC Key 25 é o meu xodó na hora de produzir.

Por que eu gosto dele?

Porque é um instrumento poderoso, um controlador MIDI muito compatível, absurdamente portátil e bem leve. É ótimo pra iniciantes. Oferece um leque enorme de possibilidades criativas, tanto pra compor quanto pra tocar ao vivo.

É incrivelmente fácil de usar com o Ableton Live. Funciona direto, assim que você tira da caixa, sem precisar configurar nada. Os synths que vêm com ele (Hybrid e TWIST) são excelentes e, sinceramente, já valem o preço sozinhos. Eles têm um monte de presets com som ótimo pra começar na hora, e bastante espaço pra mexer e modificar os timbres, com uma certa curva de aprendizado até você sacar como criar melodias e montar basslines.

O APC Key 25 deixa você ir pra qualquer lugar com um computador sem abrir mão de funcionalidade, principalmente se você é um artista que viaja super leve.