DJ HANABI (Mosaico Records)
DJ Hanabi, de Tóquio, fala de como começou a discotecar aos 30, do seu amor pela música e pela cultura dos anos 70, do seu ditado japonês favorito e do Pioneer CDJ-100.
Hamid Panahi, de Ardebil, no Irã, o Inner Sphere, fala do seu full-on cósmico, do selo Techsafari Records e de produzir psytrance onde as festas são ilegais.
Conta um pouco sobre você. Onde você nasceu e onde mora? Qual é o nome do seu projeto, e por que e como você começou?
Sou Hamid Panahi, tenho 30 anos. Nasci no Irã e moro em Ardebil, a cidade mais fria do Irã. Agora deve ter uns quatro ou cinco metros de neve aqui, hehe. Inner Sphere é o nome do meu projeto, e sou artista da Techsafari Records, do Canadá. Escolhi esse nome porque estou sempre com imagens do espaço e de galáxias na cabeça, e é isso que a minha música representa. Então o nome e os temas das faixas passam essa sensação do cosmos e do espaço sideral [Beyond The Horizon, Accessing The Universe e …].
Comecei a aprender há muitos anos, mas só por diversão. Nunca pensei que um dia seria artista. Aí, de repente, lancei meu primeiro EP, com duas faixas, Beyond The Horizon, pela Sourcecode Transmissions, o selo do Zen Mechanics. Isso foi enorme pra mim. Mudou tudo e me empurrou pra frente, então valeu, Wouter, pelo apoio. Depois disso saíram alguns lançamentos pela Iono Music e, finalmente, meu sonho se realizou: entrei num selo do qual eu sempre sonhei fazer parte, a Techsafari Records. É o meu selo de casa, e todas as minhas músicas vão sair por lá.
A gente já lançou muita coisa: remixes para os meus bons amigos Zyce e Freqfield, meu EP de duas faixas Humanoid e a faixa solo Accessing The Universe, que também foi escolhida para o programa de rádio Psynation, do Ace Ventura e do Liquid Soul. Muito respeito e muito amor por esses caras. Minha nova faixa solo, Temple Of Gods, é um full-on a 145 BPM que sai no dia 16 de março pela Techsafari Records, como sempre.
Vem muito remix por aí. Um deles é de um clássico do Protoculture [segredo por enquanto, hehe], e também tem collabs com amigos incríveis como o Kanobi e outros. Muita novidade vindo.
O que te fascina na cultura psytrance?
De todos os estilos e gêneros, o psytrance é o que tem as coisas mais bonitas no seu universo. Ele fica longe da cena comercial, pelo menos bem mais que outros gêneros. Público lindo, artistas, festivais, união. Mesmo ouvindo psytrance em casa, dá pra sentir a vibe de estar num festival, com o Mr. Pink circulando por ali e o Raja Ram explodindo o palco e a pista, hehe. O psytrance é e sempre vai ser puro e diferente dos outros, com gente linda em volta. Se eu pudesse voltar ao começo, com certeza escolheria o psytrance de novo. É uma cultura grande e um jeito de viver e de pensar.
Quais são as suas influências musicais?
Antes de tudo, RIP Cosma. Escuto o álbum Nonstop dele quase toda semana, e a faixa Minimal Vertical, desse álbum, me deixa de cara toda vez. E, com certeza, a vibe do psytrance old school. Escuto a era antiga do psytrance todo dia, e não importa muito qual faixa está tocando, desde que seja old school, Goa, prog ou full-on. Também pode ser um filme, ou até música country, porque eu escuto muita música country. Mas o que mais define o som e o estilo do Inner Sphere é essa visão do espaço que não sai da minha cabeça. Estou sempre pensando e lendo sobre outros universos, e quero muito saber: será que existem espécies como os humanos em outros planetas?
Como artistas, a gente tem uma responsabilidade com o público. Qual é a ideia principal que você quer passar pra quem te escuta, qual é a sua mensagem?
Sinceramente, não sou do tipo que dá conselho. Prefiro receber. Mas escuta a música que você ama, fica livre e segue o seu próprio fluxo, continua dançando 24/7, e vamos fazer da Terra um lugar melhor juntos, longe das guerras e de tudo isso, e trazer paz, que a gente precisa tanto agora. Sem paz, a humanidade não tem sentido. Ninguém pode te impedir de nada, a não ser que você deixe, e sonha sempre grande.
Se você pudesse começar de novo, o que faria diferente?
Eu agradeceria ainda mais aos amigos, aos artistas e a todo mundo que me ajudou a crescer, muito mais do que antes, principalmente à minha família e, claro, ao manager do meu selo, Erik Amyote. Devo muito a ele, porque nada disso e nenhum sucesso meu teria acontecido sem o Erik. Ele mudou toda a minha carreira, e é uma honra enorme trabalhar com ele. E é um grande presente pra mim estar aqui neste universo, respirando e podendo expressar o que sinto.
Cita um equipamento do seu estúdio que você curte e conta por quê.
Você só precisa de três coisas: monitores, acústica e uma DAW. Do meu equipamento eu escolheria meus monitores, Dynaudio BM6A. Antes eu tinha Adam A7X, mas agora são os BM6A. Também estou melhorando a acústica da minha sala pra ter resultados melhores.
Como está a cultura psytrance no Irã? Como as autoridades reagem?
Bom, a gente não tem nenhum festival. As festas são totalmente ilegais e bem underground, e ninguém pode mostrar nada em público. Então você tem que ficar na sua e crescer sozinho, por dentro. Mas espero que um dia chegue o momento em que a gente possa se mostrar mais e melhor do que nunca.
Obrigado pelo convite.
Hamid, a.k.a. Inner Sphere