Magic Shaman
Magic Shaman, nascido no Irã e hoje cidadão britânico, fala da cultura psytrance, da mensagem da música, dos selos como inspiração e das suas ferramentas favoritas de estúdio.
Anni Murtosaari organiza festas de psytrance, góticas e industriais por toda a Finlândia. Ela fala dos eventos do ano, da equipe, da comida nas festas e de misturar cenas.
Anni Murtosaari é uma das forças por trás da cena gothic-hippie-industrial-psytrance na Finlândia.
Quantas festas você faz por ano, como elas se chamam e onde acontecem?
Ufff. Ano passado contei 30 eventos, porque eu trabalho com vários gêneros. O básico que eu produzo todo ano é: a turnê de pré-festas do Kosmos Festival na primavera, em cinco cidades diferentes, o Underground Keskimaa Gathering perto de Jyväskylä, a afterparty da convenção de anime em Kuopio, o Kosmos Festival em Ristiina, o Underground Bermuda Gathering no leste da Finlândia, a noite de clube/festa underground Psyyskuu em Kuopio e os eventos góticos Club Infektio (quatro vezes por ano).
Ano passado a gente também fez a Assembly Rave durante o maior festival de computação do país.
Quem faz parte da equipe nas festas que você organiza na Finlândia, como eles se chamam e por que você gosta de trabalhar com eles? Quais são as qualidades (boas) deles?
Ah, eu trabalho junto com quase todas as organizações da Finlândia. Tem muitas crews em muitas cidades. Mas quando a gente organiza as nossas próprias festas, gostamos de levar gente boa de serviço. Normalmente chamo o pessoal da minha antiga cidade: a Suvi faz a comida e toca como DJ, o Kim serve chai, o Pyry é o stage manager e o Niki cuida dos lasers, visuais e luzes (a gente tem um estúdio juntos aqui e faz eventos juntos).
Meu namorado Jukka me ajuda com todo tipo de coisa. E pra decoração tenho várias pessoas em várias cidades que dão uma força. Sobre escolher com quem trabalhar: todos eles conhecem o seu lugar e o seu talento, e têm vontade de fazer as coisas acontecerem. O objetivo principal é produzir festas de qualidade. Já teve gente que disse "deixa eu ajudar", e a ajuda acabou virando ficar de bobeira e curtir a festa enquanto os outros trabalhavam. Valeu pela ajuda, parceiro.
Quando a gente faz eventos em cidades diferentes, o melhor organizador daqui, na minha opinião, é o Miika Löytynoja. Ele dá conta de qualquer situação com bom humor e mantém tudo de pé. Ele também faz parte da equipe do Kosmos Festival, o maior festival psy da Finlândia. A gente já fez muita decoração junto, e o grupo de deco dele se chama Taiga Art.
Boa. Vocês dão importância a algum tipo de alimentação?
Freegan. Tento escolher opções vegetarianas quando dá, mas se alguém me oferece comida, não recuso carne. E se a comida ia pro lixo, vale tudo. O objetivo principal é mudar a ideia das pessoas de que comida vegetariana não pode ser boa e gostosa.
Aliás, naquele evento os integrantes da banda disseram que só comiam carne. Bom, a gente fez um jantar juntando todos os artistas, e a maioria de nós era vegana. Fiz uma bolonhesa de cogumelo com soja, e os "carnívoros" repetiram três vezes. Objetivo de vida.
A mesma coisa quando fizemos uma festa em Gran Canaria: preparamos um caldeirão enorme cheio de comida e servimos pra equipe direto do carro dos meus amigos. Manter a festa saudável tem sido um dos meus maiores objetivos nos últimos anos. Uma amiga do coletivo de DJs da nossa antiga cidade é chef de profissão e organiza festas aqui. Jantar e café da manhã já estão incluídos no ingresso. Assim você não precisa escolher onde gastar seu dinheiro e não fica perdido se esqueceu de comprar lanche.
Aqui as festas na floresta ficam tipo a 50 km de distância, no meio do mato. Sem loja, sem nada.
O vídeo é de uma festa num clube gótico na Finlândia. Me conta mais!
O Club Infektio é originalmente um clube gótico! Mas pro aniversário do NoiZu a gente resolveu levar as paisagens sonoras dele pra lá. Ele mistura psy, hardcore e industrial. Em Tenerife, por exemplo, ele tocou só psytrance. Depende do público. Esse conceito híbrido chamou atenção internacional depois do evento. Gente de projetos maiores, como o Juno Reactor, comentou que isso faz falta.
A gente nunca tinha visto esse tipo de festa aqui na Finlândia. Normalmente esses dois grupos, hippies e góticos, festejam separados. Mas tinha gente de várias cenas diferentes: hippies, góticos, pessoal do fetiche, otakus, ravers de hardstyle. E todo mundo curtindo um clima bom. Se uma festa é feita com amor e dedicação, isso se reflete de verdade no público. E se é feita com estresse e com a meta de ganhar rios de dinheiro, isso também aparece. Claro que você tem que encaixar tudo isso de algum jeito: precisa ganhar algum dinheiro pra cobrir os custos, aceitar que as pessoas vêm pra se soltar e se estressar um pouco pra chegar no melhor resultado.
Mas o nosso objetivo principal é manter as pessoas felizes e bem. Por isso serviram comida e bebida quente durante a festa, além do bar normal. Manter o açúcar no sangue em dia e o pessoal feliz.
Quais são os seus planos pro futuro? Tem algum formato ou conceito novo em mente?
Tô pensando em focar mais em coisas interativas, combinando visuais e decoração. Focar mais em decorar. E ajudar outras pessoas a organizar festas dando bons conselhos, porque agora todo o meu tempo é dedicado à arte. A festa do Infektio foi organizada pelo meu namorado Jukka, e foi a primeira produção dele. Eu fui a mão esquerda dele, dizendo o que fazer, porque já tinha organizado um monte de festas antes.
Obrigado, Anni, pelo seu tempo. Espero que rolem mais festas de psytrance na Finlândia.
Página do Jukka – ele toca como NoiZu: https://www.mixcloud.com/NoiZu/
Kaikuvuori Gathering, numa antiga estação de esqui
Bermuda Gathering (underground)
Bermuda Gathering (underground)
