Fuertedélica: conferência internacional sobre psicodélicos e saúde mental
A quarta edição da conferência Fuertedélica em Corralejo, Fuerteventura: palestras principais, painel de jovens pesquisadores, pôsteres, workshops e uma festa de encerramento.
Dos pioneiros do goa ao full-on, progressive, dark psy e psybient: 20 artistas de psytrance que moldaram o som, de onde eles vêm e o que ouvir primeiro.
Os artistas de psytrance mais influentes são os que mudaram o jeito como a música soa: pioneiros do goa como Hallucinogen e Astral Projection, nomes do full-on como Infected Mushroom e Astrix, DJs de progressive como Ace Ventura e Vini Vici, e os produtores que levaram o som para o lado mais dark ou mais lento. Aqui estão 20 deles, organizados por época e estilo.
Para cada artista você fica sabendo de onde ele vem, por que importa e com quais um ou dois lançamentos começar. Conferimos cada informação em páginas de artistas, selos ou fontes de referência. Se os estilos ainda são novidade para você, nosso guia de subgêneros do psytrance explica as diferenças.
Goa Gil (Gilbert Levey) nasceu em 1951 e cresceu em San Rafael, na Califórnia. Em 1969 foi para a Índia, se fixou em Goa e começou a discotecar e tocar a noite inteira nas praias com os amigos. Essas festas ao ar livre, com imagens espirituais do Oriente, viraram o modelo da festa de psytrance.
Ben Watkins criou o Juno Reactor em Londres em 1990, como projeto de arte. Discos como Transmissions (1993) e Bible of Dreams (1997) misturavam trance com world music e sons industriais. Depois, Watkins trabalhou com o compositor Don Davis na trilha de Matrix Reloaded e Matrix Revolutions.
O produtor britânico Martin Freeland lança como Man With No Name desde 1990. Ele estava no Project II Trance (1993), considerado o primeiro álbum de goa trance, e os singles “Floor-Essence” (1995) e “Paint a Picture” (1996) entraram nas paradas britânicas. Para começar: o álbum Moment of Truth (1996).
Hallucinogen é o projeto solo do produtor inglês Simon Posford. O single “LSD” saiu em 1994, e o álbum de estreia, Twisted (1995, Dragonfly Records), é um dos discos de maior sucesso do gênero, com mais de 85 mil cópias vendidas. Posford também fundou a Twisted Records.
Avi Nissim e Lior Perlmutter, de Tel Aviv, começaram como SFX em 1989 e trabalham como Astral Projection desde 1993. A série Trust in Trance (1994 a 1996) e Dancing Galaxy (1997) são o ponto de partida. Nissim também foi um dos fundadores do selo israelense Trust in Trance Records, em 1993, e a dupla lançou For All Mankind em 2025.
O full-on tomou forma no fim dos anos 90: grave rolando, leads brilhantes e breaks grandes, geralmente entre 140 e 148 BPM. Muitos dos nomes mais conhecidos vêm de Israel, e por isso temos um artigo só sobre por que o psytrance é tão popular em Israel.
Erez Eisen e Amit Duvdevani formaram o Infected Mushroom em Haifa em 1996. A estreia, The Gathering (1999), foi um dos primeiros álbuns a levar o psytrance israelense ao grande público, e Classical Mushroom (2000) costuma ser apontado como o melhor deles. Mais tarde, a dupla chegou ao 9º lugar no Top 100 DJs da DJ Mag.
GMS, sigla de Growling Mad Scientists, é a dupla holandesa formada por Riktam (Shajahan Matkin) e Bansi (Joseph Quinteros), que começaram a trabalhar juntos em Amsterdã em meados dos anos 90. A estreia, Chaos Laboratory, saiu em 1997. Em 1999 eles fundaram a Spun Records, descrita como o primeiro selo de psytrance dos Estados Unidos.
Asher Swissa, de Jerusalém, criou o Skazi em 1998. Depois do álbum de estreia, Animal (2000), vieram Storm (2002) e Total Anarchy (2006), e com o tempo o projeto também foi para o house e o rock eletrônico.
O DJ e produtor israelense Avi Shmailov nasceu em 1981 na Geórgia, que na época fazia parte da URSS. Ele assinou com a HOMmega Productions para a estreia Eye to Eye (2002), seguida por Artcore (2004) e He.art (2016), e em 2007 chegou ao 18º lugar no Top 100 DJs da DJ Mag. Mais no nosso perfil do Astrix.
O DJ e produtor britânico Tristan Cooke tocou em festas de lua cheia em Goa antes de voltar ao Reino Unido em 1993. O primeiro lançamento saiu pela Matsuri Records em 1995, e depois vieram álbuns como Audiodrome, pela Twisted Records, e Chemisphere (2007), pela Nano Records. Ele já tocou em festivais como Boom e Ozora.
Ajja nasceu em Londres em 1975 e mora em Lausanne, na Suíça. Em 2003 foi um dos fundadores da Peak Records, e em 2007 lançou o álbum solo Psychogenica. Os sets solo dele são, na maior parte, psytrance por volta de 144 BPM.
O progressive psytrance é mais lento, muitas vezes na faixa dos 130 e poucos BPM, com groove profundo e mudanças graduais. A Iboga Records, selo de Copenhague fundado em meados dos anos 90 por Banel e Emok, é um dos que mais marcaram o estilo, e vários dos artistas abaixo lançaram por lá.
Yuli Fershtat é um produtor israelense nascido em Moscou em 1970. Depois de lançar full-on como BLT pela HOMmega por volta de 2000, ele criou o Perfect Stranger em 2006 com Learning = Change, pela Iboga Records. Continua no selo desde então, e o trabalho mais recente é Broadcasting & Receiving (2023).
Liquid Soul é Nicola Capobianco, da Suíça. Ele começou a tocar progressive trance no fim de 1993 e lançou os álbuns mais vendidos pela Iboga Records, entre eles Synthetic Vibes e Love in Stereo. Com Ace Ventura, fundou o Psy-Nation, um programa de rádio e uma série de festas.
Ace Ventura é Yoni Oshrat, de Israel, que chegou ao psytrance no fim dos anos 90. O álbum Paradise Engineering saiu pela Iboga Records em 2015, e projetos paralelos como Alpha Portal, com Astrix, e Alien Art, com Captain Hook, mostram como a cena é conectada. Leia nosso perfil do Ace Ventura.
Reshef Harari, de Israel, passou sete anos na dupla Quantize, cujo álbum Time saiu pela Iboga em 2009, antes de seguir carreira solo como Captain Hook em 2010. A estreia, Human Design (2011), rendeu anos de turnês fora do país.
Aviram Saharai e Matan Kadosh, de Afula (Israel), começaram como Sesto Sento em 2001 e são Vini Vici desde 2013. O remix deles para “Free Tibet”, do coletivo francês Hilight Tribe, virou hit mundial, depois veio “The Tribe” (2015), e em “Great Spirit” (2016) eles se juntaram a Armin van Buuren e ao Hilight Tribe. Em 2018 lançaram o próprio selo, a Alteza Records.
Para um nome mais recente nessa linha, leia nosso perfil de Antinomy, que entrou na cena em 2017 e lançou o álbum de estreia, A State of Mind, pela Iboga Records.
O dark psytrance começa por volta de 150 BPM e muitas vezes vai além, com graves pesados, sons estranhos e pouca melodia. Ele virou um gênero reconhecível depois de 2003, principalmente na Alemanha e na Rússia; o forest é o parente mais orgânico, com cara de floresta. O Xenomorph, projeto de Mark Petrick, é apontado como o primeiro a trazer uma estética sombria e ocultista para o psytrance.
Kindzadza é Lev Greshilov, de Moscou, e um nome-chave do dark psytrance russo. O álbum Waves From Outer Space saiu pela Parvati Records em 2004. Com Psykovsky, ele fundou o selo Osom Music, onde lançou Nano Ninja (2012).
Vasily Markelov, também de Moscou, lançou o álbum de estreia como Psykovsky em 2005. A música dele vai mais ou menos de 145 a 200 BPM e mergulha fundo num sound design detalhado e fora do comum. Com Kindzadza, ele também toca na dupla Osom.
O Shpongle surgiu na Inglaterra em 1996 como projeto de Simon Posford e Raja Ram, músico nascido na Austrália que foi um dos fundadores da banda de rock psicodélico Quintessence no fim dos anos 60. A estreia, Are You Shpongled? (1998, Twisted Records), misturava world music, trance psicodélico e ambient, e Tales of the Inexpressible veio em 2001. Se você quer ouvir onde o psytrance encontra o chill-out, comece por aqui.
Influência também acontece em escala menor, em cenas locais e selos pequenos. Estas entrevistas e perfis aqui do site mostram outros lados disso:
Em alcance de público, Infected Mushroom e Vini Vici são difíceis de bater. O Infected Mushroom chegou ao 9º lugar no Top 100 DJs da DJ Mag, e o Astrix ao 18º em 2007. Dentro da cena, nomes da época do goa como Hallucinogen e Astral Projection têm o mesmo peso.
Ninguém sozinho. Ele nasceu das festas de Goa, onde DJs como Goa Gil tocavam a noite inteira, e dos discos de goa trance do começo e meados dos anos 90, de produtores como Hallucinogen e Man With No Name. Nosso artigo goa trance ou psytrance explica como um virou o outro.
Astral Projection, Infected Mushroom, Skazi, Astrix, Perfect Stranger, Ace Ventura, Captain Hook e Vini Vici. Liquid Soul, que trabalha muito com artistas israelenses, é suíço, e o GMS é holandês.
O caminho mais fácil são os grandes festivais de psytrance. Astrix e Tristan, por exemplo, já tocaram no Boom, em Portugal, e no Ozora, na Hungria. Os line-ups mudam todo ano, então confira as páginas dos festivais e nossa lista de festivais de psytrance pelo mundo.