Ace Ventura: o DJ israelense de progressive psytrance
Quem é o Ace Ventura DJ e de onde ele é? O nome real é Yoni Oshrat, israelense: do Psysex ao progressive psytrance, os selos Iboga e Mutant Disco, projetos, discos e festivais.
Champa, que está por trás do selo Enterrec Music, fala de uma vida dedicada à música, de por que as pessoas fazem a cultura psytrance e da responsabilidade dos artistas com quem está chegando.
Conheci Champa há alguns anos em Tenerife, no festival Winter S.U.N., e resolvi entrevistar também essa figura iluminada.
O que te fascina na cultura psytrance?
Isso é como perguntar por que eu vivo. Minha vida inteira gira em torno da música. Aprendi a tocar vinil com dois anos e comecei a aprender a discotecar aos 16, passando por vários gêneros: jungle e garage, depois hard trance, hard house e techno alemão, mais tarde happy hardcore, progressive house e funky house.
Depois disso voltei pro trance mais mainstream. Em 2005 fui na minha primeira festa de full-on psytrance ao ar livre (Psy Invasion). Até ali eu vivia procurando quem eu queria ser como artista e no palco.
Mudei de gênero porque a música foi me levando pra direções diferentes. O motivo era simplesmente viver. Mas um motivo importante também era estar com as pessoas certas, gente que curtia o mesmo som. Quando comecei, em 1994, eu amava a música, mas aquelas pessoas não eram a minha turma. Então, por que a cultura psytrance me fascina? Não só pelo amor à música, mas pelas pessoas em volta dela.
A cena não para de crescer, e claro que muita gente nova chega na nossa cultura. A gente tem que aceitar todo mundo, mesmo quem não é exatamente a sua turma. O que importa é viver feliz, e eu faço isso com o psytrance como música e cultura há 15 anos, e espero que pra sempre.
Como artistas, a gente tem uma responsabilidade com o público. Qual é a mensagem que você quer passar pra quem te escuta?
Seja gentil com os outros. Todo mundo já foi jovem, e todo mundo teve que aprender a cultura ao redor. No psytrance isso é uma parte ENORME da cena. Então o principal é sempre acolher os mais novos que chegam, com informação, coração aberto e, acima de tudo, amor.
Você me contou que tem um selo. Conta mais!
Comecei no psytrance em 2005. Em 2007 entrei na Free-Spirit Records como DJ. Com o nascimento do meu filho Vinnie chegando, comecei a produzir psytrance em 2011. Pareceu o próximo passo natural pra continuar fazendo o que eu amava, na cena que eu curtia.
Se eu não tivesse sucesso logo, ia deixar aquilo como um sonho. Mas em 2012 entrei na Y.S.E. Recordings e comecei a lançar minhas músicas, com eles e com vários outros selos. Fui responsável pelo A&R e pelo lançamento de coletâneas em CD duplo (GOA SERIES), quatro por ano durante muitos anos. Mesmo assim, eu ainda não estava onde queria. Em 2017 estive perto de entrar na Dacru Records, mas no fim o caminho mais inteligente, pra mim, foi abrir meu próprio selo. No verão de 2017 saiu o primeiro lançamento da Enterrec Music. É simplesmente um selo de trance psicodélico que hoje cobre vários estilos de psy. O principal é lançar música boa de gente boa.
Quais são as suas influências musicais?
Essa pergunta já é enorme. Qualquer artista que fez meu cérebro vibrar do jeito certo, e são muitos pra citar. Os artistas também mudam de estilo com os anos. Mas se for falar só de psytrance, mais ou menos nesta ordem:
Infected Mushroom, Astrix, Sesto Sento, Oforia, GMS, Protoculture, Tron, Polaris, Suduaya, Talamasca, Atma, Bit-Kit, Digicult & Tropical Bleyage.
E o que vem pela frente?
Tô nessa pra valer, a longo prazo. O selo vai crescer, e a minha produção também. No momento estou trabalhando no meu quarto álbum de estúdio, que deve ficar pronto até o outono de 2020 (no hemisfério norte). Quero ajudar produtores e DJs a realizar seus objetivos e sonhos na cena, aumentar a família Enterrec e continuar conhecendo pessoas incríveis e compartilhando bons momentos no meu país e pelo mundo.
www.soundcloud.com/champalive
www.facebook.com/enterrecmusic
www.enterrec.com